A gente nunca acha que vai acontecer com a gente. Mas acontece, no mundo de hoje, nenhuma mulher tá imune a um relacionamento abusivo.
Esse texto além de um desabafo, é um livramento. Tem 6 meses que a minha filha nasceu. Até o nascimento dela eu tinha um companheiro: O pai. O pai que prometia céus e mares para ela e para mim; O pai que se mostrava carinhoso e preocupado... Até a página dois.
Minha filha nasceu de uma cesariana vinda do que desconfio ter sido violência obstétrica (Mas esse é outro relato). Fomos liberadas do hospital após 3 dias do parto... Chegamos em uma casa suja, desarrumada e nada de acordo com o combinado. Eu tinha que cuidar da bebê, da recuperação da cesariana, do puerpério, baby blues (ou depressão, não sei. 6 meses e ele ainda não foi embora?!) e mais um turbilhão de coisas que a maternidade traz... Ah, mas e o pai? O pai tava jogando no computador, saindo pra caçar pokemón e ser assaltado, fazendo bagunça na cozinha e no resto da casa. Estava fazendo qualquer coisa que não fosse cuidar de mim ou da filha que ele dizia tanto amar. Aguentei essa barra até o 3º mês de vida dela, mas ficou insuportável. Ele não me ouvia, não conversava comigo e tudo o que eu falava era considerado "mimimi". Botei ele pra fora de casa e tudo o que ele fazia era perguntar se a bebê estava bem e toda vez que tentávamos falar sobre aquilo que a gente chamava de relacionamento, dava briga. Ele nunca tava interessado em conversar, entender... Ele sempre tentava apenas provar que o ponto de vista dele tava certo e sequer se importava em ouvir o meu.
Ainda havia amor, havia dependência psicológica, havia o pensamento de "vamos ser uma família, minha filha não merece isso".
3 meses depois tentamos denovo. Não durou uma semana... Ele estava pior. Jogava, se achava o melhor pai do mundo por ficar 15 minutos com a menina no colo para eu fazer café para NÓS...
O ápice foi quando ele foi pra casa do pai dele passar a noite (que durou uma semana), no dia em que eu estava apresentando reação alérgica ao produto de limpeza que usei pra lavar o banheiro que ele nunca se dignou a limpar. Olhos lacrimejando, espirros contínuos, mão queimada... Nada despertou a empatia dele. Não importou se eu tinha condições de cuidar da nossa filha, seu tive febre ou não, se eu tinha condições de comer ou não. No outro dia a reação piorou, e ainda se agravou mais quando uma das mamas empedrou.
Foram os 3 piores dias da minha vida. Mas ele tava mais preocupado em postar no facebook como eu "adorava acordar ele grosseiramente pra brigar". Ele não se importou comigo e nem com a filha que ele dizia tanto amar.
Agora veio entregar presentes de natal da filha e aproveitou pra falar que eu sou louca, retardada e que a culpa de todo fracasso do relacionamento é minha...
Ele que era o senhor desconstruído, melhor homem do milênio... Não passava de mais um machista nosso de cada dia.
Agora sigo aqui, aceitando que na verdade sempre fui mãe solo e que mãe solo sempre vou ser, pois já diz o ditado: "Antes só do que mal acompanhada".
Agradeço ao universo por me permitir enxergar isso e peço força para lutar contra a depressão. Preciso dar o segundo passo, o primeiro já é esse aqui.


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